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| Dominic West |
O Kabaret Patafísico do Alziro
Thursday, May 23, 2013
Sunday, May 19, 2013
Saturday, May 18, 2013
Eu estava todo animado esperando pela estréia do Vicious, o novo sitcom com Sir Ian McKellen e o Sir Derek Jacobi. Tudo indicava que ia ser divertido. Mas a decepção foi enorme. Tudo ruim: Roteiro péssimo, figurino horrivel, cenário pobre. Tudo muito velho, datado, sem graça. Um humor dos anos 50/60, velho e anacrônico. E o que era pra ser um seriado gay moderno virou um vexame quase homofóbico, um atraso que só faz reforçar estereótipos requentados. Uma pena. Até o elenco parece não estar convencido da qualidade da baboseira. E é um elenco dos sonhos de qualquer um, tem até a brilhante Frances de la Tour. Tudo jogado no lixo.
Tortas, bolos, pizza, pães. Josephinne comprou um mixer profissional caríssimo essa semana e desde então não sai da cozinha fazendo os quitutes mais deliciosos. Eu não vou reclamar. E a duquesa de Deptford teve a coragem de me acusar de extravangante por ter comprado agrião pro almoço outro dia. Como se eu devesse viver de tomates.
Sábado, noite. Na vitrola, o dia inteiro, rolou um festival Caetano. O tempo continua assim aquela coisa metade. Na sala a duquesa tensa tenta controlar o dedo nervoso no controle da TV, entre o Eurovision e um documentário sobre o Scott Fitzgerald e eu vez por outra dou uma olhada, alta cultura versus o camp mais exagerado, esquizofrenia. O dia foi perdido entre sonecas e traduções. No mercado eu comprei o Bicycle Diaries, do David Byrne, sabe-se lá quando vou ler. O humor também anda estranho, ciclotímico, uma hora cheio de planos, outra o maior desespero. A viagem quase toda resolvida e a mesma ansiedade de sempre, o Brasil me deixa tenso até chegar e relaxar, aqueles cinco minutos me sentindo estrangeiro no meu próprio país. E é melhor me acostumar logo porque logo vai ser definitivo. E como se não bastasse eu pareço ter entrado de novo no cio. Não haverá verão. O telefone vai ficar desligado mas eu também te amo, viu?
Wednesday, May 15, 2013
Monday, May 13, 2013
Tum, tum, tum. Um tumulto só. Uma correria, um espanto, ando sem tempo pra nada. Sempre correndo, ofegando, coração na boca. Chama-se ansiedade essa coisa que me habita. Desde o ventre da minha mãe.
E tem uma coisa que me enlouquece: O tempo. O tempo de fora não bate com o tempo de dentro, disritmia. O tempo de fora é fácil e espaçoso, calmo sem correrias, eficiente, lógico, eficaz. O de dentro é uma vertigem de bocas abertas, velocidade máxima, já passou, já foi, tarde demais. Nervos trêmulos e musculos exaustos. E o tempo de dentro paralisa o tempo de fora. E nada acontece, nada anda, nada vai. Nada é Jazz. E eu não sei dançar.
Monday, May 06, 2013
Sim, essa criatura que vos fala não bate muito bem, isso todos sabem, mas últimamente anda pior.
Como se não bastassem aqueles dramas quotidianos, outros andam se acumulando. E os nervos se esticando até o limite.
Brasil, Brasil, Brasil. Agora que decidi que quero voltar, as coisas vão ficando cada vez mais complicadas. Voltar como, quando, pra onde, fazer o quê, como sobreviver? Grana, casa, amigos, família, tudo ao mesmo tempo agora.
Com tudo isso me atormentando, eu tive a genial e desesperada idéia de comprar uma passagem pro Rio no cartão quase estourado, sem saber como vou pagar depois, assim na irresponsabilidade dos loucos.
Passagem comprada, eu me lembrei que meu passaporte brasileiro continua vencido e eu não tirei outro por causa do trauma do ano passado. O consulado geral do Brasil em Londres é um inferno além da imaginação de qualquer Kafka. Então eu pensei assim: Não vou me estressar, sempre posso ir com o meu muito útil passaporte italiano. Acontece que o dito estava desaparecido e o meu fim de semana foi desperdiçado tentando achá-lo sem sucesso. Finalmente, hoje pela manhã, descobri o troço num cantinho dentro de uma caixa de coisas inúteis no fundo de uma estante. Alívio. Mas não por muito tempo, a merda tá vencendo antes da minha volta. Agora estou sem nenhum documento de viagem.
Vão ser dias de ódio e incertezas. O consulado italiano só tem data pra me atender no final de julho, o que é tarde demais. E com o consulado brasileiro não se pode contar.
Meus dias de cachorro louco começam amanhã, quando vou começar uma peregrinação de consulado em consulado, sendo destratado diáriamente por burocratas ressentidos que vão fazer o impossível pra transformar a minha vida num inferno.
Se tudo der errado e eu perder a minha passagem e a grana, eu não serei responsável pelas consequências, amém.
Eu gostaria de poder fumar enquanto escrevo. Não rola. Então tenho que descer três andares cada vez que dá vontade, o que acontece o tempo todo. Aqui não tem elevador. A minha vida é um subir e descer escadas que nunca termina. Ao menos serve pra ver os vizinhos vez por outra, ou checar quem está se mudando, quem está indo, quem está chegando. Pouco consolo.
Sunday, April 21, 2013
Então fez um dia lindo de sol e temperaturas amenas. Eu tomei meu café da manhã atrasado e fui pra rua ver a maratona. Sim, porque eu finjo ser cool e chic mas sou mesmo louco por eventos populares e gratuitos. Adoro ver as novidades, as pessoas, as ruas coloridas de faixas e bandeiras. além do que, depois da absurda loucura em Boston, o clima andava meio tenso por aqui. Bom poder andar pelas ruas sem paranóias.
E falando nisso, essa estória em Boston anda muitissimo da mal contada. O FBI tem muito o que explicar. E depois ainda reclamam das teorias conspiratórias que brotam feito erva daninha. Enfim, tudo um horror de qualquer jeito...
Ps. Só não me meto nas roubadas mais óbvias como passar o ano-novo aos pés do Big Ben ou ir me sacudir no carnaval de Notting Hill. Essas são mesmo péssimas, horrorosas, feias e desconfortáveis.
Saturday, April 20, 2013
Primeiro era algo assim como uma miragem distante. Um desejo incerto e vago, uma coceira permanente, a colonização de Marte. Depois o desejo aumentou, menino pré adolescente perturbado por sonhos molhados com os lábios fartos e os quadris acrobáticos de Elvis Presley, impossíveis, inatingiveis, pra sempre fora do alcance.
Depois o desejo virou possibilidade muito remota, uma chance em um bilhão de possibilidades, loteria, sorte grande. Artigos em revistas, fotos, filmes, o Natal frio e misterioso visto pela tela do Fantástico nos domingos calorentos e suados dos dezembros da periferia do Brasil. Um começo de flerte, estudar o objeto do desejo: As cores, as roupas do desejo, a língua, os discos pra ouvir, os relatos de viagem. Tesão unilateral, platônico, amor que não ousava dizer seu nome com medo de que todos os castelos se desmanchassem alí no ar rarefeito das coisas que não são.
Então, com o passar do tempo, a coceira, sem avisar, foi aos poucos virando urgência, Rock and Roll, Punk Music. Tempo de fugir com o circo, com o Grêmio Recreativo das possibilidades impensáveis. Guias turísticos, agências de viagem, naves espaciais.
Mas as viagens intergalácticas ainda eram puro futurismo. E o menino ardendo de uma paixão marciana.
Assim, ele virou profeta de si mesmo, um Noé obcecado, egoista e febril pouco preocupado com os outros animais, lunático confundindo desejos com desígnios divinos, destino, as mesmas cartas, o mesmo tarot.
Documentos de viagem, diplomacia interestelar, ground control to Major Tom.
Os desejos platônicos não respeitam burocracias, se infiltram pelos canos dos esgotos mais fedorentos das ditaduras mais sangrentas, sem notar, sem entender. Os desejos são burros, imbecís, idiotas como pedras fritando sob um sol de caatinga em seca. E por serem assim tão burros, não conhecem limites, são livres, inventam possibilidades por acidente, decifram códigos mesmo sem saber ler.
Cápsula, veículo para navegação sem satélite.
Restos de automóveis anacrônicos, velhos casacos de pele animal, ferros velhos em geral, física quântica, mecânica de galáxias, a engenharia enigmática das escapadas, a transposição de muros de prisão. E mapas. Conflitantes, opostos, hieróglifos. Línguas de tribos violentas de deuses astronautas. Binóculos, bússolas, lunetas, astrolábios de improviso. A cápsula de casco prateado, enferrujado, remendado. Pequeno receptáculo, frágil e atrevido, para conter um desejo voraz e trêmulo, bomba de fabricação caseira.
Viagem, salto, vertigem.
Combustível propulsor contrabandeado, bagagem de essenciais mínimos, relógios, compassos, rádio transmissor. E o estrondo do desejo ao se lançar no ar. Fumaça, poeira, 3, 2, 1... Um clarão de fim-do-mundo, um tremor de terra em transe, respiração de faca cortando o estômago. E um projétil prateado cortando o céu de chumbo quase sólido. Bala de metralhadora furando a carne/atmosfera. E depois um desejo desaparecendo no infinito, indo dançar com Elvis Presley em Marte, ácido, ecstasy, planeta Blade Runner, civilização superior frenética, terra de todos os desejos insanos e impossíveis.
Ou se perder no caminho, explodir em meteoros, glitter, David Bowie, pó de estrela pra sempre flutuando no espaço siderado sideral. Pó de desejo, pó de impossivel, pó de coisas que não podem ser.
Sunday, April 14, 2013
Como tinha gente bonita nas ruas hoje pela tarde... Foi bom ter me arrastado pro sol apesar da preguiça. No mais, tudo do mesmo. Nada. Assim numa fase arroz integral, vai durar três dias. Uma certa tristeza no ar, melancolia, aperto no peito. Rola de tudo na vitrola e nada me alegra, nem jazz, nem samba, nem rock and roll. Um tédio imenso, coisas por fazer. E parece que amanhã volta a chover. Onde se meteram as pessoas interessantes com quem ainda se pode conversar?
Eu passei os últimos meses resmungando do tempo e da falta de sol, e quando finalmente faz um dia lindo lá fora sou tomado por um desânimo total, nem pensar em sair de casa.
* * *
Esmaguei minha mão na porta da garagem. Puta-que-pariu! O único consolo foi o vizinho gostosão ter largado a mulher e o bebê no carrinho pra vir correndo me massagear os dedos muito doloridos.
Friday, April 12, 2013
__ Bom dia. Que confusão foi essa?
__ Bem, Doctor Taylor, parece que ninguém sabia que eu estava aqui e eu estou plantado lá fora faz uma hora, esperando.
__ E eu aqui achando que você tinha esquecido.
__ Eu não ia me esquecer, doctor Taylor, eu marquei a consulta hoje e vim pra cá direto.
__ Mesmo? Mas você tem que nos avisar quando chegar...
__ Bem, o computador lá fora não está funcionando pra eu fazer o check in...
__ Por quê você não avisou pra recepcionista que você havia chegado?
__ Tem dois avisos lá fora, Doctor Taylor, enormes, no balcão da recepção, dizendo pra eu me sentar e esperar meu nome ser chamado...
__ E você não notou que eu estava demorando, que havia algo errado?
__ Culpa do livro que eu tava lendo, Doctor Taylor, me distraí e o tempo passou sem eu notar.
__ Mesmo? Que livro é esse assim tão bom? Faz tempo não leio nada que preste...
__ Esse aqui Doctor Taylor, são contos ótimos do Raymond Carver.
__ Ah.. vou comprar também.
__ ...
__ Bem, e como você está? Tudo bem? O que posso fazer por você?
__ Tá tudo bem, Doctor Taylor, apesar desse tempo horroroso lá fora.
__ Ih, nem me fale, ninguém aguenta mais isso. Você tem alguma viagem planejada? Pra algum lugar ensolarado, talvez?
__ Nada, se a grana der eu vou dar um pulinho no Brasil ainda esse ano, mas nada certo ainda.
__ Você não pensa em voltar? Parece que o Brasil tá "estourando"...
__ Por mim eu bem que me mandava amanhã, Doctor Taylor, mas é complicado, depois de todos esses anos.
__ Sei... Então ficamos assim: Mais três meses no antidepressivo e a gente vê o que faz... e tira o casaco pra medir a pressão...
__ ...
__ A pressão tá ótima, perfeita. Mas, como ela só se estabilizou no últimos seis meses depois do remédio, vou manter a dose, continue tomando. Como anda o seu sono?
__ Confuso, Doctor Taylor, tumultuado, cheio de sonhos estranhos, absurdos, alguns até coloridos...
__ Mesmo? Eu nunca tive um desses...
__ Ao menos não tô mais tomando aquele calmante...
__ Olha... mas não quer uma receita?
__ Não precisa não, Doctor Taylor...
__ Tem certeza? Não quer ficar com uma receita só prum caso de necessidade?...
__ Precisa não, obrigado.
__ Mais alguma coisa?...
__ Ah, Doctor Taylor, qual é o nome daquele Shampoo anticaspa que eu usei anos atrás pra minha dermatite...?
__ Voltou? Não foi o Nizoral?
__ Esse mesmo, obrigado...
__...
__ Doctor Taylor, sempre me dá dermatite quando eu volto a raspar o cabelo...
__ Como você raspa, onde?
__ Num barbeiro paquistanês ali do lado...
__ Ah não, meu marido raspa ele mesmo...
__ Já tentei, Doctor Taylor, Já tentei mas não consigo, não adianta.
__ Então compra sua própria maquininha e leva pro barbeiro, ele pode se ofender, mas é melhor que ficar pegando dermatite... essa gente não desinfeta os equipamentos...
__ Tenho coragem de fazer isso não Doctor Taylor. Acho que vou mesmo é deixar o cabelo crescer...
__ ...
__ ...
__ Então tá, Doctor Taylor, tenha um ótimo fim de semana...
__ E você também, divirta-se... e nos vemos em três meses, certo?
__ Com certeza...
__Não esquece de avisar pra recepcionista...
__ Esqueço não, Doctor Taylor, Tchau...
__ Tchau tchau...
__ Bem, Doctor Taylor, parece que ninguém sabia que eu estava aqui e eu estou plantado lá fora faz uma hora, esperando.
__ E eu aqui achando que você tinha esquecido.
__ Eu não ia me esquecer, doctor Taylor, eu marquei a consulta hoje e vim pra cá direto.
__ Mesmo? Mas você tem que nos avisar quando chegar...
__ Bem, o computador lá fora não está funcionando pra eu fazer o check in...
__ Por quê você não avisou pra recepcionista que você havia chegado?
__ Tem dois avisos lá fora, Doctor Taylor, enormes, no balcão da recepção, dizendo pra eu me sentar e esperar meu nome ser chamado...
__ E você não notou que eu estava demorando, que havia algo errado?
__ Culpa do livro que eu tava lendo, Doctor Taylor, me distraí e o tempo passou sem eu notar.
__ Mesmo? Que livro é esse assim tão bom? Faz tempo não leio nada que preste...
__ Esse aqui Doctor Taylor, são contos ótimos do Raymond Carver.
__ Ah.. vou comprar também.
__ ...
__ Bem, e como você está? Tudo bem? O que posso fazer por você?
__ Tá tudo bem, Doctor Taylor, apesar desse tempo horroroso lá fora.
__ Ih, nem me fale, ninguém aguenta mais isso. Você tem alguma viagem planejada? Pra algum lugar ensolarado, talvez?
__ Nada, se a grana der eu vou dar um pulinho no Brasil ainda esse ano, mas nada certo ainda.
__ Você não pensa em voltar? Parece que o Brasil tá "estourando"...
__ Por mim eu bem que me mandava amanhã, Doctor Taylor, mas é complicado, depois de todos esses anos.
__ Sei... Então ficamos assim: Mais três meses no antidepressivo e a gente vê o que faz... e tira o casaco pra medir a pressão...
__ ...
__ A pressão tá ótima, perfeita. Mas, como ela só se estabilizou no últimos seis meses depois do remédio, vou manter a dose, continue tomando. Como anda o seu sono?
__ Confuso, Doctor Taylor, tumultuado, cheio de sonhos estranhos, absurdos, alguns até coloridos...
__ Mesmo? Eu nunca tive um desses...
__ Ao menos não tô mais tomando aquele calmante...
__ Olha... mas não quer uma receita?
__ Não precisa não, Doctor Taylor...
__ Tem certeza? Não quer ficar com uma receita só prum caso de necessidade?...
__ Precisa não, obrigado.
__ Mais alguma coisa?...
__ Ah, Doctor Taylor, qual é o nome daquele Shampoo anticaspa que eu usei anos atrás pra minha dermatite...?
__ Voltou? Não foi o Nizoral?
__ Esse mesmo, obrigado...
__...
__ Doctor Taylor, sempre me dá dermatite quando eu volto a raspar o cabelo...
__ Como você raspa, onde?
__ Num barbeiro paquistanês ali do lado...
__ Ah não, meu marido raspa ele mesmo...
__ Já tentei, Doctor Taylor, Já tentei mas não consigo, não adianta.
__ Então compra sua própria maquininha e leva pro barbeiro, ele pode se ofender, mas é melhor que ficar pegando dermatite... essa gente não desinfeta os equipamentos...
__ Tenho coragem de fazer isso não Doctor Taylor. Acho que vou mesmo é deixar o cabelo crescer...
__ ...
__ ...
__ Então tá, Doctor Taylor, tenha um ótimo fim de semana...
__ E você também, divirta-se... e nos vemos em três meses, certo?
__ Com certeza...
__Não esquece de avisar pra recepcionista...
__ Esqueço não, Doctor Taylor, Tchau...
__ Tchau tchau...
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