Sunday, April 06, 2014

   O Rio de Janeiro continua sendo. Eu por aqui sem ser. Seqüestraram as minhas férias, dramas e lágrimas. Faz sol em Vila Isabel, da janela vem uma brisa fresca e eu não sei o que fazer de mim. 
   Ontem fui na travessa do Shopping Tijuca encomendar um livro e voltei com os diários do Lucio Cardoso sob o braço, logo na segunda página o primeiro soco na boca do estômago. Eu ando numa hora "minutos de sabedoria", tudo serve, tudo encaixa, tudo parece navalha, tudo dedo em ferida.

Saturday, April 05, 2014

   Eu sou um inocente incorrigível. Quase da raça dos estúpidos, dos lunáticos, dos desvairados. E achava que estava vindo ao Brasil resolver umas burocracias chatas e aborrecidas, pra depois tentar relaxar um pouco apesar da falta de grana. A ingenuidade dos ingênuos.
   Não há outonos em Saramandaia, apenas a fúria irracional dos elementos.
   E, como se não fosse suficiente, me fizeram desacreditar de vez na raça humana, essas criaturas cruéis e sedentas de sangue fresco. Agora eu torço e espero com ansiedade pela extinção da espécie. Não peço que seja indolor, apenas que venha o quanto antes.

Wednesday, March 26, 2014


   Esse Kabaret está fechando as portas temporariamente. O proprietário exausto precisa de férias do mundo, precisa viver umas semanas sem celular, sem facebook, sem e-mails. Precisa de isolamento pra pensar, de descanso, de brisas marinhas e ondas espumantes. Então, pela primeira vez em muitos anos, esse boteco fecha as portas e o louco saí por aí tentando ser feliz por uns dias. Voltamos no fim de abril. Beijos.
    Esses sites de "notícias" e fofocas que se procriam por aí pagam direitinho? Acho que vou me candidatar pra passar meus dias criando manchetes do tipo: Mulher melão, com pernas torneadas mostra novo look poderoso.

Monday, March 24, 2014


   Como tudo sempre pode piorar, meu laptop deu pau, ferrou, morreu. Claro que tinha que ser justo agora que eu nao tenho tostão pra comprar outro. Vou ter que me virar com essa merda chamada ipad mini que é uma inutilidade total. Deve ser meu inferno astral(se eu acreditasse nessas crendices) chegando adiantado pra poder me atormentar com mais calma.
   Eu desmaiei na quinta-feira e continuo desmaiado até hoje. As três piores semanas da minha vida. Sobrevivi aos pedacos, cacos. Sobrou uma criatura absurdamente exausta e exasperada.
   Segunda-feira tudo volta ao normal, menos mal. Depois são papagaios, periquitos e borboletas tropicais.

Monday, March 17, 2014

    E no trabalho, como sempre, tudo o que podia ser simples, vira uma complicação dos infernos. Tudo drama, tudo lágrimas. Eu quero paz e sossego.
   Que não se espere de mim ser a mesma pessoa de cinco minutos atrás. Eu ando reagindo rápido, mudando o tempo todo. Aprendendo. Finalmente entendi que se a minha vida vai ser sempre precária e instável, é melhor não resistir e ir me recriando à medida em que as circunstâncias mudam. Eu já pirei muito com isso, uma ansiedade louca, desespero. Agora o que vier eu traço. Eu achei meu jeito, meu estilo. Sou um pouco áspero, desconfiado, gato escaldado. Mas ao mesmo tempo sexy, inteligente e engraçado. Ufa! Já era tempo de eu gostar um pouco de mim.
   As árvores da Teesdale Close, que até outro dia eram formadas por galhos secos e cinzentos, acordaram no sábado cheias de brotos verdes e flores brancas. Da minha janela, eu fui feliz por 10 minutos. E foi quase suficiente.
    Alguém, outro dia, me perguntou se eu me acostumaria a viver no Brasil de novo. Eu respondi que sempre fui extremamente adaptável e não acho que seria assim tão difícil. O que eu acho mesmo mais complicado é o Brasil se acostumar comigo.

Thursday, March 13, 2014

   Isso aqui anda parecendo o muro das lamentações. Não liguem. Mudem para uma coluna de fofocas que é muito mais divertido ser voyer de celebridades. Eu adoro. Vivo xeretando. Me acalma e relaxa, me faz bem esvaziar a cabeça dos meus próprios resmungos, eu não ando mesmo me aguentando mais. Tô me achando um saco. Tomara que seja apenas uma fase.
    Férias no horizonte, minha gente, ansiosamente contando os dias. Quero me meter no mato, na selva, sozinho, completamente isolado. Mas tem que ser um lugar extremamente barato, pois eu não tenho e nunca tive tostão. Aceitamos de bom grado sugestões "di grátis".
   A coisa chegou ao limite. Ontem minha chefe me mandou pra casa ao meio-dia. Alegando que eu ando trabalhando em excesso.
   Correndo, sem tempo, feito louco. É a vida do imigrante pobre nessa cidade sensacional. A crise econômica parece que só está terminando mesmo pros ricos. O governo do mauricinho teve a coragem de se vangloriar ao dar um aumento de 19 centavos por hora da tal mimimum wage( assim um tipo salário mínimo daqui). Essa gente aprendeu direitinho com sua santa padroeira a defunta(e que o diabo a atormente pela eternidade) Dona Margaret Thatcher.

Tuesday, March 11, 2014

   Os mórbidamente curiosos se alimentam de pistas falsas.

Monday, March 10, 2014

   Eu eu não sei se fico feliz ou não. Eternamente indeciso.
   O consulado brasileiro em Londres é mesmo uma beleza. O site não fornece informações detalhadas, o telefone nos joga pra uma gravação com respostas pra dúvidas genéricas. Uma delícia de competência e modernidade. E tudo o que eu queria saber é quanto tempo leva pra um CPF ficar pronto. Vou ter que me virar em tempo pra ir lá ser destratado pessoalmente. Aquele lugar é coisa do capeta.
   Foi um fim de semana bom. Relaxei, tomei sol, vi os daffodils brotando do chão, amarelos, verdes, cheios de vida. Andei por aqui, sem rumo. Ainda estou muito cansado. E decidi ir ao Brasil no fim do mês, apenas por umas semaninhas, já que não dá pra rolar aquelas férias maravilhosas dos sonhos em Seychelles.
   Enquanto isso, fico aqui nessa segunda já desesperadora, contando as horas pro dia 28. Beijos em todos os envolvidos no drama.

Saturday, March 08, 2014

     Mas não é mesmo muito cinismo, fingir preocupaçao social e alegar que os garis cariocas estavam causando danos à saúde de suas próprias famílias? Essa gente não tem vergonha na cara?
Tilda Swinton.

  •      Aqui quem vos fala é um cadáver. Ou o que sobrou de mim depois de uma das piores semanas da minha vida. É duro não ter mais de onde tirar energia pra continuar. O grotesco, o absurdo e a crueldade da realidade me atacaram sem cerimônia ou respeito. E eu terminei a semana me sentindo menor e pior. O trabalho me enlouquece e amesquinha, força destrutiva e violenta.
  •     Pizza boa e barata no The Globe ontem de noite. E as piores cascas de batata fritas que já provei.
  •     Hoje eu já acordei cansado. E sem luz no prédio. Assim: Sem eletricidade nada funciona nessa casa, não há água nos chuveiros e pias, não se pode escovar os dentes pois a escova  elétrica está descarregada, o bebedouro da geladeira não funciona, o wi-fi também não, a chaleira é elétrica e não dá nem prum café ou chá, não dá pra lavar roupa, não dá pra sobreviver, simples assim. Casa extremamente técnológica dá nisso.
  •     Fomos todos pra rua aproveitar o dia de sol, a primavera, o colorido das ruas e das pessoas. Café da manhã no quiosque vietnamita do Broadway Market, que parecia mais o Afeganistão de tanto hipster de barba longa. E fomos pro Spitalfields andar por aí, sem destino. Eu e Josephinne arrastando uma Duquesa emburrada e ranzinza com tudo e com todos.
  •    O Cat Café da Bethnal Green Road só aceita reservas pra agosto, sucesso total. E eu desesperado pra tomar um cházinho com biscoitos acariciando um felino.
  •    Uma cervejinha e uns petiscos num pub novo.
  •    E o Grand Budapest Hotel. Que raio de elenco é esse? Tudo de bom, tudo de lindo. E Tilda Swinton? Tem Tilda Swinton, gente, tem Tilda Swinton.  Não existem palavras pra descrever ou classificar Tilda Swinton. No meu vocabulário, Tilda Swinton é adjetivo de grandeza. Quando algo é extraordináriamente lindo e genial eu digo que é Tilda Swinton. E posso passar o resto dos meus dias repetindo Tilda Swinton, Tilda Swinton, Tilda Swinton. Feito disco quebrado, feito eco em precipício.
  •     E advinhem quem também é minha vizinha? Não é Tilda Swinton, mas aquela outra que parece ter a missão de destruir qualquer coisa em que atue, a insuportável, a aborrecida, a desmaiada Kiera knightley.
  •     Eu estou evitando pensar na semana que vem pra não ter uma crise de choro.
  •     Chegou a primavera. E, como sempre eu me apaixono de novo. London vira o melhor lugar pra se viver nesse mundo cruel. Mas o tempo não pára, esse romance tem os dias contados, essa cidade virou uma cortesã exigente e eu sempre fui um amante dedicado e sem tostão. Vai ser o mais dolorido de todos os fim de caso.   

Friday, March 07, 2014

   Mas as criaturas meteorológicas nos prometem 17 graus(!!!!!!!!) no fim de semana. O que me deixa feliz. Se tiver forças vou pras ruas e parques tomar sol e ver os brotos das flores da primavera surgindo da terra como se a vida ainda fosse possível nesse mundo apesar de tudo.
   E por nada nesse mundo eu deixo de ir ver a Tilda Swinton no Grand Budapest Hotel. E ainda vou fazer a extravagância de ir ao Aubin Cinema, o melhor cinema que eu conheço no mundo, onde posso me sentar em poltronas enormes de veludo, com banquinho pros pés, mesinha pros drinks e cobertinha felpuda pra me aquecer do ar-condicionado. E coquetéis variados do bar do Shoreditch House. Because I'm worth it.
     Sim, vou reclamar de novo. Essa semana eu trabalhei todo dia das sete da manhã até as onze da noite. Todo santo dia. Menos hoje, quando eu espero escapar do inferno antes das cinco. E semana que vem, para meu desespero e como se fosse possível, parece que vai ser ainda pior. Se por acaso eu morrer de cansaço, coloquem o corpo num saco plástico e joguem em qualquer esquina.
   Agora os cariocas deram pra reclamar dos turistas. Se queixam de que são barulhentos, sujam a cidade jogando lixo pelas praias e calçadas, bebem demais, são grosseiros. Os locais andam indignados. Parecem nova-iorquinos, londrinos e parisienses, ressentidos com quem mantém as cidades vivas economicamente. Eu rio comigo mesmo, achando os cariocas todos muito chic e esnobes ultimamente. Mas esse é um problema bom de cidades prósperas. E as soluções são meio óbvias. Eu só me pergunto o que os cariocas do subúrbio, que sequer conseguem suas coletas de lixo em dia, acham desses dramas todos do Rio de primeiro mundo.