Sunday, January 24, 2016

   Domingo nublado e tedioso. Mas a pessoa entediada tem o coração amigável e decide, sem muito pensar, convidar a vizinha jararaca bíblica prum chazinho com biscoitos.
   O réptil chega todo simpático e cheio das boas maneiras. Anda pela casa, examina os cômodos, elogia a vista, finge não notar as gatas e dá enorme atenção ao Buda e ao incenso aceso na mesinha da sala.
    Depois dos rapapés protocolares, muitos biscoitos, geleia e cafezinhos, o bicho rastejante se endireitou na cadeira, se ergueu lentamente, apertou contra o corpo a bolsa que mal continha o exemplar muito manuseado do texto divino, se encaminhou sem pressa para a porta de saída de onde se virou para apertar as minhas mãos trêmulas e frias, arrancar das entranhas um sorriso beato e mandar na minha cara:
   __  Muito obrigada pelo café, estava tudo muito gostoso mesmo. E a sua casa é muito interessante, diferente, nós não vemos muitas delas por aqui...
    E, esticando as veias do pescoço e quase num esgar, finalizou:
   __ ...parece casa de maconheiro de novela. 
   E se foi toda empertigada me deixando aqui pasmo e chocado.
   Depois de tantos anos vivendo longe daqui, eu ainda não sabia que já podíamos ter maconheiros em novelas. Isso só pode ser coisa do Lula com o Fidel e Dilma. É o fundo do poço, minha gente, é o fim da picada, o fim do mundo.
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