Wednesday, January 06, 2016

    A vizinha da casa ao lado me vigia.
    Passa os dias me observando sorrateira, entre plantas, frestas de muro e janelas entreabertas.
    Aquele velho clichê do que deve ser a vida no interior.
    Eu, de um certo modo, me sinto lisonjeado pelo interesse, não ligo.
    E ela também andou por aí imaginando coisas e espalhando boatos. Parece ter aconselhado uma outra vizinha a se afastar da minha adorável pessoa, disse que "gente como eu" não traz boas energias e influencia os outros ao caminho das trevas. É crente e depois que notou o cheiro dos meus incensos anda perguntando sobre minha religião. Além de, segundo ela, ter visto um rapaz novinho, forte e de brinquinho, saindo todo alegrinho da minha casa.
    Quem me dera todos os rapazes com ou sem brinquinho que viessem aqui saíssem assim tão contentes. E não fossem apenas pedreiros, eletricistas ou bombeiros hidráulicos.
     Mas ainda há esperança, se tudo der certo a vizinha não vai morrer de tédio. Nem eu.
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