Monday, February 10, 2014

   Eu havia me prometido calar a boca e nunca mais me manifestar sobre certos assuntos. Pois eles só me arranjam encrenca.
   Mas sempre fui péssimo em cumprir promessas.
   Desde a tal revolução ridícula de junho passado, com seus fofoletes sem ideologia, programa de reivindicações ou manifesto, verdadeira mula-sem-cabeça em forma de manifestação política, eu venho me descabelando, me irritando, me desesperando. Tentando entender que esses garotos e garotas equivocados, com seus black block e mídias ninja eram inocentes, sem traquejo ou prática do jogo político, cheios de boas intenções e nenhuma compreensão do que seja história.
   Inocência, minha gente, tem limites. Se deixar usar por forças sinistras, voluntariamente, é imbecilidade imperdoável. E vinha sendo assim desde junho, os fofinhos cheios de marra, donos da verdade, verdadeiros ovos da serpente. Fazendo barulho e estrago, sem entender que na verdade eram a vanguarda do atraso, proto-nazistas.
   Essa história do rojão no cinegrafista teria sido apenas um tiro no pé dado pelos idiotas, se não houvesse terminado em morte.
   E a classe média agora se encontra em choque com as mãos cheias de sangue. Onde se enfiaram os adultos que festejavam o quebra pau? Onde foram parar os tais senhores e senhoras, supostamente de esquerda, que estavam achando lindo os filhotes cheios de amor cívico? Certamente ainda estão celebrando o beijo gay da novela. Orgulhosos de seu liberalismo. Ou reclamando do preço dos taxis, da audácia cada vez pior das babás e empregadas domesticas, do baixo nível dos cadernos de cultura em geral.
   E com certeza a culpa é da Dilma, do PT, do Sérgio Cabral, do prefeito, do outro, do outro, do outro.
   Pois que consigam dormir.
  Esses fofoletes teriam feito melhor se houvessem lido um pouco mais antes de pegar em bandeiras, um pouco mais de Brecht e muito menos facebook.
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