Thursday, December 26, 2013

    Aqui não tem especial de fim de ano daquele rei decrépito, tirano, anacrônico e ridículo. Mas tem o discurso de Natal de Lilibeth todo dia 25 de dezembro na TV. Sempre no meio da tarde, que é pros seus queridos súditos poderem assistir enquanto mastigam o Christmas Dinner.
     Lilibeth também é decrépita, anacrônica, tirana e ridícula. E nos chega,  cheia de pompa e circunstância, com um blá blá blá interminável sobre as dificuldades e as alegrias do ano que se acaba, previsões cor de rosa pro ano seguinte, doses cavalais de cristianismo e paz na terra e muitas outras platitudes inofensivas que nunca falham. A populaça se embasbaca embevecida. Esse ano ainda teve uma ladainha muito comovente sobre o nascimento do príncipe Jorginho e seu significado pro futuro da monarquia e a união da nação.
    Tudo isso dito por uma senhora muito velha, do alto dos seus inimagináveis privilégios, com uma vozinha de menina pequena, uma postura rígida de morta-viva e coberta com as jóias mais estonteantes de que jamais se teve notícia.
    Se serve como consolo, ao menos não temos que aturar as canções de gosto muito duvidoso, os cenários e figurinos pavorosos e aquelas celebridades contrangedoras que costumam povoar o fim de ano daquele rei absolutista e nú que quer reinstalar a funesta censura dos tempos de chumbo no Brasil. E é muito mais divertido.
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