Monday, October 21, 2013


   Se eu não tenho dinheiro, eu compro flores. Acho andar de taxi uma suntuosidade afrontosa. Adoro tomar café em copos de vidro, meu vinho favorito é um Chateau Mouton Rotschild que nunca mais vou tomar de novo, o Rio de Janeiro é mais real no suburbio. Sofro de uma caspa pavorosa que me deixa sempre à um pé da demência, sobrevivo de miragens, tenho uma bermuda de veludo amarelo, leio todos os autores desesperados, finjo que possuo uma vitrola, ainda vou ter uma cozinha minúscula mas cheia de charme, sonho com romances baratos. Gostaria de uma vida reciclável mas é tudo muito complicado, adoro utopias comunistas e homens de pentelhos fartos, cinema é minha arte preferida, vi a Dina Sfat no palco, detesto teatro, preciso me embriagar com mais frequência, fumo cigarros eletrônicos, tenho cio de cães de rua, adoro manga, jabuticaba e carambola. Moro no East End de Londres mas vou acabar na Pavuna. Ando pelas ruas da cidade em horários vazios. Não acredito em Deus mas acredito na Clarice, no Caio e na Hilda. A Baía da Guanabara me enche o coração de alegrias. A minha família é um abismo. Tenho sonhos complicadíssimos quando durmo. Vadiagem é cerveja Friuli de morango no The Dove. Abraço os meus amigos e beijo rapazes na boca. Crio enredos imaginários para escolas de samba. Estou sempre no lugar errado na hora errada e acabo me divertindo. Fui budista por meia hora. Sou um "narcisista às avessas"*.

* Nelson Rodrigues: "O brasileiro é um Narciso às avessas, cospe na própria cara ao espelho."
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