Saturday, October 12, 2013

    Lá fora faz friozinho, aqui dentro ventilador. Fosse eu uma senhora da minha idade e a culpa seria da menopausa. Não o sendo, não sei quem culpar. Os sábados aqui no meu reino encantado são sempre os mesmos. Variações do mesmo tema. Especialmente agora que cheguei ao fundo do fundo do poço financeiro/econômico/social. Antes ainda haviam soluções criativas, agora nem isso há. Então só me resta mesmo ir sacudir meus bolsos vazios por aí. Pelas redondezas, arredores, pelo meu habitat antinatural. Ainda bem que London Town sabe ser linda quando eu preciso dela e não me cobra nada pelo imenso prazer.
   O inevitável anda cada vez mais perto. E nada será como antes. Eu não faço planos, projetos, não desenho mapas...
   Seja lá o que for, essa cidade fascinante virou parte inseparável de mim, do meu corpo, da minha cuca, daquilo que eu sou. Quando chegar a hora, eu vou guardar as cores, os sons, os cheiros daqui.
   Mesmo budista de araque, eu aprendi que nada dura para sempre, que é tolice achar que se tem algum controle.
   Eu ouço o som das ondas do mar, eu vejo o azul pela janela, eu sinto a brisa me tocando a pele. E mesmo que seja apenas miragem  no deserto, eu quero estar pronto para embarcar. No que pode vir a ser a última e maior das minhas aventuras.
   E a cidade vai comigo pra onde eu for.
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