Friday, October 04, 2013



...subitamente acordei, olhei em volta e era o caos. O cesto de roupa suja transbordando no canto, roupas usadas espalhadas pela superfície do chão, contas, extratos, embalagens vazias de remedios, papéis amassados jogados pelo tapete, a vitrola tocando baixinho um Rock&Roll. Poeira pelo ar, sobre os móveis, os objetos, um cheiro velho de semanas, um certo quê de aquário embaçado no meu quarto/mundo/ostra. O de fora e o de dentro quase iguais.
   Então eu me levantei e fui, saco de lixo na mão, aspirador, paninhos diversos. Fui dobrando roupas, separando coisas, tirando pó, organizando meu universo. Me demorando com calma, aquela camiseta velha que eu gosto, os cartazes de exposições dentro do canudo na mala preta sobre a estante, o retrato  preto e branco da Clarice, os Budas... Separei revistas recortadas , guardei colas e cartolinas e tesouras, acariciei com a flanela meu radinho  na micro escrivaninha. Limpei os livros um por um, a foto islandesa do Tom K, o retrado da minha mãe, tirei a poeira das santinhas em cima da mesa, dobrei as toalhas de banho que são herança do Tico&Teco, separei os panos de prato bordados pelas minhas irmãs, cuecas e meias na caixa correta. Fiz uma faxina na minha mochila, joguei coisas fora, recibos inúteis, canetas estragadas, comprimidos não identificados caidos no fundo. Fui assim, tocando as coisas, me lembrando de onde veio cada uma, quem me deu, quando.
    O saco de lixo está no andar de baixo, perto da porta, pra eu não esquecer de levar quando sair. As roupas suja estão lavando na máquina. É sexta-feira, eu não trabalho,faz um tempo cinza do lado de fora e tem uma garrafa cheia de bolhas na geladeira me esperando pra quando o fim da tarde chegar.
    Aos poucos as coisas todas quase voltam a fazer sentido e eu volto a ser o que sou, um homem triste quase feliz.
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