Saturday, August 24, 2013

    Outro dia eu tive um sonho. Um sonho triste. 
   Eu andava por uma rua caótica e barulhenta de uma grande metrópole(São Paulo? New York? London?). Chovia muito, gente corria apressada pelas calçadas molhadas, iluminadas pelo piscar de neons. Buzinas, carros, bicicletas, motos. Todo mundo muito agressivo, todo mundo de muito mau humor, empurrões, resmungos, guarda-chuvas alucinados abrindo espaço na multidão.
   E, assim do nada eu vejo um cão. Um cachorro preto. Muito preto. Magérrimo, esquelético. De pêlos molhados. Um cão encharcado e faminto. Mas de olhos humanos. Tentando se mover por entre pernas apressadas. Um cão triste, desesperado, um cão estrangeiro nesse mundo. E as pessoas todas, apressadas e agressivas o olhavam com desprezo e ódio. Rancorosas de haver um cão tão triste ali atrapalhando seus movimentos. Um cão feio. Um cão miserável.
    Eu abri caminho entre essa gente e abracei o triste cão. E respirei aquele cheiro de cão molhado. E me senti irmão do cão.
   O cão então me olhou com seus olhos tristes e humanos e me disse: "Eu sabia que ainda ia te achar. Eu tenho muita fome de biscoito maizena." Eu abri a minha mochila e fiquei alí, alimentando aquele cão com pacotes e mais pacotes de biscoito que havia comprado sem razão horas antes. O cão comia sôfrego os biscoitos, me lambia os farelos de entre os dedos e me dizia coisas lindas. E chorávamos de alegria, eu e aquele triste cão.
Post a Comment