Saturday, August 10, 2013

   Descendo a escada do avião e aquele perfume me inundando as narinas. O cheiro da cidade, essa mistura de muitos outros cheiros, substâncias, paisagens. Home sweet home. Os ombros descansando fáceis, o pescoço solto, todos os nós se afrouxando. Ainda ali, no asfalto quente do terminal do aeroporto.  A chave que eu havia esquecido na ida me esperando calma nos achados e perdidos, como um sinal, como um aviso: "Relaxa baby, a casa é sempre sua apesar da dureza, é que vez por outra um certo drama lhe cai bem. Bom te ver aqui de volta." Sol e calor. O sol e o calor me pegando sem eu perceber,  abraço por trás, surpresa, susto. Home sweet home. As malas cheias de livros, o chaveiro na mão, aquele cigarro urgente e desesperado. A cidade ali na minha frente, sexy, esperta, cheia de mistérios, me olhando no olho. "Bom te ver de novo, baby, por onde você andou?... Outros ares não é? Mas, baby, certos romances nunca acabam, disso você devia saber. Pega um taxi, baby, que você deve estar morrendo de cansaço, pega um taxi e vem me ver, com calma, pela janela, vem me olhar, você voltou, make yourself home, here I am, I've been waiting for you." E eu sempre caio nas ardilosas armadilhas dessa velha cortesã.
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