Friday, June 14, 2013

   Não, eu não acho que o Brasil seja o Egito, a Turquia ou a Síria.
   Mas lendo os jornais de hoje e dando uma olhada pelas mídias sociais, qualquer desavisado poderia entender mal.
  O Brasil não é um estado opressor e violento, apesar de já tê-lo sido no passado. E quem viveu esse passado deveria saber perfeitamente a diferença. Mas muitos parecem sofrer de uma amnesia que desrespeita a memória dos muitos que sofreram nas mãos sangrentas do Brasil do golpe, da junta, dos generais.
    E não digo isso para menosprezar a voz atual das ruas, apenas para tentar entender e contextualizar os protestos. Claro que quem diminui a importância da galera nas calçadas só pode ser imbecil ou mal intencionado. Quem diz que eles não valem os tais vinte centavos, não sabe o real valor de vinte centavos e sequer consegue entender o mundo em que vive. Claro também, que qualquer democracia digna do nome não reprime violentamente protestos.
    Mas se os meninos e meninas querem mesmo uma revolução, deveriam aprender que revoluções exigem ideologias. E organização, compromisso e disciplina. Se orientem rapazes!
    O que eu acho mesmo é que está ficando cada dia mais urgente se discutir uma solução para o problema PM(essa aberração violenta e autoritária), que é um problema muito velho e faz da segurança dos cidadãos um verdadeiro pesadelo.
   Mas algumas coisas me incomodam nesse imbroglio:
1) A população pobre e preta do Brasil que vive nas favelas sempre foi vítima dessa mesma polícia e nunca se saiu às ruas protestando. Parece que alguns brasileiros são mais cidadãos do que outros.
2) Nessa altura do campeonato(e esse é um péssimo trocadilho), nas vésperas de dois eventos esportivos da magnitude da copa do mundo e das olimpíadas, eu esperava que os estados brasileiros e suas forças policiais estivessem mais preparados para lidar com situações desse tipo. Sob o risco de parecerem extremamente ingênuos(pra se dizer o mínimo).
3) Apesar das intenções serem as melhores e mais honestas, os manifestantes deviam ficar extremamente atentos com aqueles que vão achar muito conveniente essa oferta súbita de uma imensa massa de manobra logo antes de uma das eleições mais importantes da história do país.
 
   Falta ao protesto uma articulação melhor. O Brasil está num caminho muito interessante. Mas qual é o futuro que queremos, agora que alguns dramas andam sendo resolvidos? Eu quero extremo respeito com meus vinte centavos, sejam eles os centavos que pago no ônibus, os que deviam estar pagando pela educação e pela saúde do povo, quero respeito e dignidade iguais para todos os brasileiros, sejam eles universitários de classe media ou empregadas domésticas(cadê as madames reclamonas?), pretos ou índios.
   E que não venhamos a trilhar o mesmo caminho do capitalismo selvagem e feroz que só respeita as grandes corporações e os donos do dinheiro e que levou a América e a Europa à bancarrota e ao retrocesso.
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