Monday, June 04, 2012

   Talvez tenha sido efeito dos medicamentos. Ou talvez eu seja assim mesmo esquisito.  O fato é que ontem eu acordei achando que fosse uma boa idéia me arrastar pra beira do Tâmisa ver o cortejo do arraiá da Lilibeth, afinal é apenas a segunda vez em toda história que um monarca celebra um Jubileu de Diamante, antes dela só mesmo a "belíssima" e falsa moralista Victoria. Enfim, lá fui eu pras ruas frias, molhadas, e na maioria dos casos, interditadas.
   A ida até que nem foi traumática, apesar da multidão enfeitada de bandeiras, caras pintadas, coroas e tudo o mais que se possa imaginar. Muita alegria, muita birita, muita comida e o povo histérico de felicidade e orgulho, os inocentes.
   Claro que nem pensar em conseguir chegar nas margens do rio pra ver os tais mil barcos do cortejo e toda a fanfarra. E ventava. Chovia. E não se conseguia mais andar. Então eu súbitamente tive um ataque de lucidez, me perguntei que diabos eu estava fazendo ali, deixei meus amigos de lado e voltei pra casa, depois de uma novela mexicana tentando atravessar a London Bridge morrendo de medo dos cavalos da Polícia Montada, que tentava, sem muito sucesso, conter a multidão. Fiz meia volta e peguei o metrô superlotado pra chegar em casa ainda em tempo de pegar o começo da festa ao vivo na BBC e assistir tudo do conforto do sofá tomando meu cházinho e comendo biscoitos.
   Tudo muito lindo, visto daqui, claro. O barco de Lilibeth luxuosíssimo, chiquérrimo, e ela, como sempre, com um chapéu absurdo, boquinha vermelha e toda sorrisinhos se fingindo de fofa e bonachona acenando pra plebe. Quem não te conhece... O príncipe lunático orelhudo, sem ter plantas com quem conversar foi obrigado a se contentar com a ex inimiga pública número 1 e provávelmente futura rainha, que se derretia toda pro lado da sogra megera.
    O príncipe mauricinho sem sal, o queridinho  gente fina, meio que desapareceu do lado da cabeluda, que teve a coragem de aparecer de vermelho Almodóvar da cabeça aos pés(Alexander MacQueen, minha gente, nem me venham com tolices)e uma cinturinha de causar incredulidade em gente que já viu de tudo nessa vida. A moça sempre foi corajosa e determinada. Ou nem estaria na quermesse.
   Já nosso pequeno príncipe, ruivo e muito gostosinho, dessa vez se comportou como um gentleman, pra alegria da vovó. Mas por baixo da farda e das medalhas dava pra ver umas pulseiras bem moderninhas no pulso, o que dá esperança pra muitos. O moço agora se especializa em parecer comum, como o resto de nós. Parabéns fofo.
   Antes disso tudo, o orelhudo tinha baixado numa street party em piccadilly, com a ex-inimiga pública e futura rainha do reino das águas claras, levando uma torta, apertando mãos e comendo petiscos com a populaça. Claro que depois deve ter desinfetado as mãos escondido em seu Rolls-Royce. Aprendeu com mamãe, que nunca na vida foi vista sem luva, que é pra não pegar pereba braba de suor de pobre.
   Agora é esperar pelo concerto de hoje à noite, em frente ao palácio, pra doze mil convidados  que receberão uma cesta de picnic cheia de guloseimas do Heston Blumenthal no conforto de suas cadeiras enquanto os outros cem mil menos afortunados ficam se acotovelando lá atrás. Ontem já tinha gente acampada por lá e muitas famílias inteiras passaram a noite na chuva e no frio pra conseguir uma boa visão do circo. Melhor nem mencionar os artistas convocados pra gloriosa noite, basta dizer que quem organizou o pagode foi o moço Gary Barlow, aquele ex Take That.

Ps.
  • O marido da tia, o destemperado do Duque, foi parar no hospital com uma infecção urinária. Se não for desculpa pra não ter que aturar tanto talento.
  • O celular do chato do Paul McCartney    tocando no meio da entrevista ao vivo agora na BBC. É o fim. E Elton John todo lépido e faceiro, aparentemente recuperado da pneumonia. Vai ter Stevie Wonder, aleluia senhor!
  • Tem um cantor de ópera gostosão no palco vestido de cowboy e cantando O Sole Mio. Que pôrra é essa minha gente?
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