Monday, April 09, 2012

     Eu ia sair da ostra, último dia dos feriados e tal. Pensei em me arrastar prum pub qualquer das redondezas e me embriagar sozinho feito criatura trágica que sou. Mas rola um vento estranhíssino pelas ruas da vizinhança e eu penso em desistir. É que a experiência me contou que as minhas bebedeiras solo nunca deram muito certo,  difícil driblar aqueles pequenos demônios que se sentam muito confortavelmente no meu ombro esquerdo, bebendo Daiquiris de canudinho e  me sussurrando as obcenidades mais absurdas.
   Além disso, tem uma garrafa de vinho branco na geladeira e a Concha Buika na vitrola. Suficiente pra aplacar a minha sede de drama.

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  Romance ideal: Vindo da minha janela,hoje cedo, eu ouvi uma voz e umas canções. Uma serenata, vejam vocês. Um menino bonito e todo encasacado tocando violão pra amada sob uma chuva torrencial e os ventos mais frios de que se tem notícia. O romance ainda vive, pensei. E pensei também em cidadezinhas do interior, mocinhas inocentes, poetas transtornados. E sexo. Of course. E abri a janela pra assistir melhor tanta demonstração de amor.
   A mocinha se mostrou irredutível, nenhuma palavra, sequer abriu sua janela. E a minha fantasia romântica se esfacelou no concreto da calçada quando o Romeu perdeu as estribeiras e começou a gritar coisas terríveis pra donzela, coisas pavorosas, relacionadas à sodomia e outras bestialidades. E ainda jogou o violão violentamente no asfalto da rua, abriu seu belo casaco, tirou do bolso interno uma crack pipe e uma seringa, e sem o menor pudor se injetou e fumou entre os palavrões mais assustadores. E a donzela nada.
   É o fim definitivo do romantismo nesse mundo. Já não se fazem mais mocinhas como antes. Especialmente no East End londrino. 
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