Friday, December 03, 2010

Assim como se meu cérebro tenha sido posto numa sacola plástica transparente cheia de água, como quando se compra peixinhos por aí. Tudo muito nebuloso, tudo bêbado, trêmulo, tudo perigosamente fora do foco. Quando eu fico assim eu fico assim. Nada nada nada. O aquecedor fervendo, os objetos da casa todos como se flutuando no espaço, o café solúvel instantâneo meio frio na caneca no braço do sofá, os vidros das janelas embaçados, a neve nos telhados das casas todas ao redor. O ar adquiriu um toque afiado de faca na pele, nas mucosas internas do nariz. O mundo ganhou uma atmosfera fantasia, viagens de ópio, mescalina, de qualquer valium com Pinot Noir. O inverno é um planeta frio, E eu astronauta levitando suspenso pelos ares.
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