Friday, December 07, 2012

   A faxineira veio na terça.  O que eu morro de vergonha de dizer aqui. Porque para uma criatura da classe operária como eu, empregadas e faxineiras são coisas para Marias Antonietas loucas, de perucas empoadas e pintas pretas alí logo acima do lábio superior. Um atraso. Um anacronismo gagá perdido em alguns cantos remotos do século 21. E que fique muito claro que temos a faxineira por obra da Duquesa de Deptford, que ainda não desacostumou de luxo e riquesa apesar dos tempos famélicos.
   Muito bem, dadas as explicações, vamos aos fatos: A faxineira, uma paulista extremamente simpática e eficiente, veio na terça. E desde então a casa foi tomada por um cheiro estranho que somente eu pareço notar. A duquesa e Josephinne simplesmente me dizem não haver cheiro algum, mas eu continuava enjoado com o odor. No princípio achei que era Vick Vaporub, o que não fazia sentido. Toda vez que eu descia do meu quarto eu era tomado por uma onda nauseante já antes de descer a escada. E assim tem sido desde então. Desistí de comentar, já que a duquesa me olha como se louco eu fosse, andando pela casa farejando coisas que não existem e com cara de enjôo. E assim ia levando minha vida. Até que ao voltar do mercado hoje pela tarde, ao abrir a porta da frente e ser recebido pelo tal "fedor", a ficha caiu e eu finalmente identifiquei o cheiro. É cheiro de Pinho Sol, minha gente, cheiro de pinho sol, um dos cheiros mais traumatizantes da minha infância depois do cheiro das bolinhas de naftalina que minha mãe usava nos guarda-roupas pra evitar as traças. Será que a faxineira está importando Pinho Sol?
 
Ps. Dos cheiros da minha infância, o que eu gosto mesmo é do cheiro do Merthiolate. E aquele ardor nos cortes nos meus dedos.
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