Monday, November 26, 2012

   Faz pouco eu fui lá embaixo fumar. E, na calçada, passou por mim a raposa. Com passos lentos e ritmados, me demonstrando um desdém quase humano, como sempre. Eu digo a raposa, mas não posso estar muito certo, já que é comum raposas vagando pela minha rua em certas horas da noite e as raposas urbanas todas se parecem, todas magras, sujas, os pelos desgrenhados. Apenas o desdém é sempre o mesmo: O de quem já desistiu faz muito de qualquer ilusão quanto aos seres viventes. Mas eu gosto de acreditar que a raposa que eu vejo é sempre a mesma e que ela deliberadamente me ignora. Para que nos reste a ambos uma certa ilusão de dignidade.
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