Sunday, October 21, 2012

   Então acabou a novela. Mesmo aqui de longe não foi possível evitar o tsunami que assolou o Brasil. Estranho ver esse filme de novo. Me pareceu que o país entrou subitamente numa máquina do tempo e voltou pros tempos de chumbo do Salomão Hayala(1977) ou pra baby democracia da Odete Roitman(1988). Tempos estranhos. Ou eu não estou entendendo nada. O champagne ainda deve estar rolando na TV Globo, que pode dizer de novo que tem o dedo no pulso do país, mesmo que o país seja outro.
   Eu não sou daqueles que abominam telenovelas, acho que algumas são geniais, entre o muito lixo que andou sendo forçado goela abaixo da população cuja única opção de divertimento é a TV. E nem duvido que Adriana Esteves mereça todo o carinho popular que anda recebendo, o que vem apenas provar a baixa qualidade da atuação na TV nas últimas décadas. Quando finalmente aparece uma atriz de verdade é esse rebuliço.
    Agora não se para de falar na importância das mídias sociais pro sucesso de Avenida Brasil. O Facebook e o Twitter congestionados com os dramas do divino nos últimos meses. Os analistas todos ressaltando a infuência dos mesmos pra engrossar avassaladoramente a audiência. E porque tem gente surpresa? Eu ficaria surpreso mesmo se isso não acontecesse. O que me deixa um pouco espantado é que todo mundo parece acreditar que tudo isso foi um fenômeno espontâneo. Como se os departamentos de marketing das TVs brasileiras fossem assim tão anacrônicos. Quem se deu ao trabalho de prestar atenção nessas midias nos últimos meses não deixou de perceber o esforço concentrado por trás de tanta espontaneidade, com jornalistas e formadores de opinião vomitando toneladas de posts que só faziam aumentar a mania.
   Tá tudo certo. A novela deve ter sido mesmo brilhante. Mas santa ingenuidade Batman.
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