Monday, January 10, 2011

   Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, o Brasil anda me perseguindo ultimamente, em todo lugar: Na TV, no cinema, nos billboards pela cidade, na lateral dos ônibus e dos taxis, nas ondas dos radios. 
   Homesick é uma palavra feia pra descrever um sentimento dolorido, porquê aqui não existem saudades. 
   Décadas atrás eu tinha sonhos brasileiros, de um futuro brasileiro. Eram sonhos de delicadezas confortáveis em meio ao gigante pesadelo em que vivíamos. Depois, desiludido e capenga, o meu sonho virou um sonho estrangeiro, uma plataforma que me jogasse longe fora do Brasil e de mim, das nossas tristezas,  nossas desesperanças, dores, desesperos.
   Por vezes eu achei que o Brasil dos meus sonhos só fosse mesmo possível na minha imaginação viciada em ser feliz, que eu sofresse de algum desvio de caráter que me fizesse estar sempre sonhando o impossivel, desabando das nuvens e tentando colar os cacos. Sempre catando cacos, sempre colando peças e pedaços.
   Agora aquele Brasil dos meus sonhos parece me perseguir por essa cidade estrangeira, enorme e fria, pelos meus caminhos, como se apenas pra me lembrar que o sonho era possivel, que o país andou mudando muito pra melhor. E que eu não estava lá pra ver, que eu tinha desistido de acreditar, que preferi vir arrastar minhas saudades e os cacos que sobraram dos meus sonhos por um continente velho  e comatoso.
   Eu sei que o Brasil está ainda muito longe de ser um paraíso idílico, uma sociedade perfeita, um país das maravilhas. Mas esse sonho eu nunca sonhei, eu sonhava apenas com um país possivel, onde eu pudesse sonhar os meus pequenos e delicados sonhos, onde a esperança morasse no horizonte, onde se pudesse ousar sonhar ser feliz.
   O Brasil dos meus sonhos anda virando realidade lá na distância. E eu, que desisti do sonho, ando me sentindo cada vez mais estrangeiro e triste.
  
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