Thursday, August 12, 2010

Faz um silêncio enorme aqui. Tudo quieto. Uma total falta de acontecimentos, sem música, sem TV, eu aqui ouvindo o silêncio. Apenas o ruído distante de aviões no céu no ar, e o sussurro dos dedos nas teclas, os sons abafados de dentro do computador. O tempo parece ter parado por aqui. Aquele telefone não atendeu, aquela experiência não rolou, eu fui ficando aqui, em silêncio.
O silêncio é um perigo, ele existe de tal modo a fazer com que eu me vire pra dentro de mim, onde sempre começam as viagens mais turbulentas, ou pra me fazer olhar de novo o mundo à minha volta, com um certo desconforto meio estrangeiro. Olhar pro sofá na sala em silêncio, a mesa de jantar, o tapete branco no marron escuro das tábuas do chão. Observar a pulseira de couro encaracolada na superfície negra da poltrona no quarto, a poeira cobrindo os livros em pilhas pelo chão. O silencio deixa mais forte o gosto do café instantâneo no veludo da língua. O silêncio é uma terra estrangeira ao século. Melhor pôr alguma coisa pra tocar na vitrola.
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