Tuesday, August 17, 2010

Existe uma voz. Dentro da minha cabeça existe uma voz. A voz que narra a minha vida. Como a voz que existe provávelmente na sua cabeça também, embora eu não possa estar muito certo. Mas a minha voz é pior que as outras, a minha voz não se contenta em narrar, quer interferir, quer criticar, é uma voz de humor ruim, uma voz rouca de deboche e desamor que quer fazer da minha vida um filme ruim, uma tragédia involuntária. A minha voz, a voz que me narra, critica e diminui, algumas vezes se disfarça de voz da razão, voz do bom senso, dos bons modos. E  anda megalomaníaca  se recusando dialogar, quer monólogo longo, denso, insuportável. A minha voz quer passar por cima de mim, roubar o show. Eu ando desafiando a voz, insistindo em argumentos razoáveis no lugar do dedo apontando falhas, fracassos, ridículos. Ou a minha voz me ouve, ou eu vou mudar o tom da minha voz.
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