Saturday, February 20, 2010

Achei meias listradas entre as minhas coisas quando limpava gavetas, jogava coisas fora. Cabos, fios, fotos, objetos inúteis. Tô fazendo uma certa faxina, assim uma limpeza astral, meio numa tentativa mística de abrir caminhos pra coisas novas. Ou tentando chegar ao essencial de mim.
O que eu queria mesmo, era chegar ao ponto de ter apenas uma camiseta, um casaco, uma calça jeans, um sapato e um chapéu. E ser essa pessoa que tem uma camiseta, um casaco, uma calça jeans, um sapato e um chapéu... E o meu Buda de resina, e um cheiro de incenso, umas velas pra acender. E livros, muitos. E discos, demais. Eu acho que vim ao mundo pra ouvir música, o que pode bem explicar a minha incapacidade pro resto das coisas, pras coisas práticas, coisas necessárias, essenciais.
Eu não sei ganhar dinheiro, não sei abrir mão do dinheiro, não sei muito o que fazer da minha vida. Eu gosto mesmo é de olhar o mundo. De escutar o mundo. De ficar sempre boquiaberto com o mundo. Eu acho tudo muito bonito. Até as coisas mais feias. E sou uma criatura frágil, desconfiada, um gato, uma onça. O mundo é muito complicado pra animais da minha espécie.
Na minha cabeça eu habito um planeta de cinema europeu, jazz, Bola de Nieve, Cesária, Elis. Fora de mim a minha vida é um horror de horas mesquinhas arrastadas. Talvez eu precise beber mais, brigar mais, morrer menos.
Uma camiseta, um casaco, um sapato, jazz, Buda, um chapéu. Chegar ao extremo essencial de mim. E ser eu.
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